A queda do sigilo no processo do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o caso Banco Master revelou que a PwC, contratada pelo Banco de Brasília (BRB) para a due diligence, encontrou diversas inconsistências no balanço da instituição de Daniel Vorcaro. Ao longo de seis meses de análise da proposta de fusão, o Banco Central enviou dezenas de ofícios ao Master, muitos deles baseados nos achados da auditoria. O TCU concluiu que a atuação do BC foi técnica e evidenciou graves irregularidades.
| Ativo | Valor | Problema identificado |
|---|---|---|
| Debêntures FCVS | R$ 2+ bi | Sem aprovação da Caixa, sem suporte detalhado dos saldos |
| Treasuries (EUA) | R$ 1,9 bi | PwC não recebeu detalhamento das carteiras nem demonstrações auditadas |
| FIDC RSG | R$ 599 mi | Rentabilidade de 4.245% em 42 dias; carteira ficaria fora do perímetro BRB |
| FIDC Ital | R$ 641 mi | BC cobra composição da carteira e demonstrações auditadas |
| Will Bank / Niobium | R$ 935 mi | Valor a receber de empresa não detalhada, ligada à Reag |
Os questionamentos do Banco Central
O BC usou os achados da PwC como base para cobrar explicações do Master. No caso dos Treasuries, o regulador questionou por que os R$ 1,9 bilhão em títulos do Tesouro americano não haviam sido convertidos em reais para reforçar a liquidez do banco, pedindo “explicações específicas, detalhadas e documentadas”. Sobre o FIDC RSG, o BC exigiu esclarecimentos sobre a rentabilidade de 4.245,81% em 42 dias. Já no caso do Will Bank, o balanço registrava R$ 935 milhões a receber de uma empresa chamada Niobium, sem detalhamento sobre a natureza do saldo. Uma empresa com esse nome, criada em dezembro de 2023, foi adquirida meses depois por Antonio José Santos Guimarães, sócio de dezenas de empresas ligadas à Reag.
A CAE do Senado derrubou o sigilo do processo na terça-feira (24) e apresentou três projetos de lei: o PLP 30/2026, que restringe alavancagem excessiva com garantia do FGC; o PL 1.141/2026, que dá à CVM poder de supervisão sobre empréstimos bancários; e o PL 1.335/2026, que prevê até 12 anos de prisão por gestão fraudulenta. O BRB, que propôs aumento de capital de R$ 8,86 bilhões após o impacto da operação frustrada, nunca enviou ao BC o relatório final da PwC, apenas uma versão prévia de julho de 2025, baseada em um perímetro de transação que já havia mudado significativamente.









