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PwC encontrou inconsistências bilionárias no balanço do Master, revela processo no TCU

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

A queda do sigilo no processo do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o caso Banco Master revelou que a PwC, contratada pelo Banco de Brasília (BRB) para a due diligence, encontrou diversas inconsistências no balanço da instituição de Daniel Vorcaro. Ao longo de seis meses de análise da proposta de fusão, o Banco Central enviou dezenas de ofícios ao Master, muitos deles baseados nos achados da auditoria. O TCU concluiu que a atuação do BC foi técnica e evidenciou graves irregularidades.

Inconsistências identificadas pela PwC
Ativo Valor Problema identificado
Debêntures FCVS R$ 2+ bi Sem aprovação da Caixa, sem suporte detalhado dos saldos
Treasuries (EUA) R$ 1,9 bi PwC não recebeu detalhamento das carteiras nem demonstrações auditadas
FIDC RSG R$ 599 mi Rentabilidade de 4.245% em 42 dias; carteira ficaria fora do perímetro BRB
FIDC Ital R$ 641 mi BC cobra composição da carteira e demonstrações auditadas
Will Bank / Niobium R$ 935 mi Valor a receber de empresa não detalhada, ligada à Reag

Os questionamentos do Banco Central

O BC usou os achados da PwC como base para cobrar explicações do Master. No caso dos Treasuries, o regulador questionou por que os R$ 1,9 bilhão em títulos do Tesouro americano não haviam sido convertidos em reais para reforçar a liquidez do banco, pedindo “explicações específicas, detalhadas e documentadas”. Sobre o FIDC RSG, o BC exigiu esclarecimentos sobre a rentabilidade de 4.245,81% em 42 dias. Já no caso do Will Bank, o balanço registrava R$ 935 milhões a receber de uma empresa chamada Niobium, sem detalhamento sobre a natureza do saldo. Uma empresa com esse nome, criada em dezembro de 2023, foi adquirida meses depois por Antonio José Santos Guimarães, sócio de dezenas de empresas ligadas à Reag.

A CAE do Senado derrubou o sigilo do processo na terça-feira (24) e apresentou três projetos de lei: o PLP 30/2026, que restringe alavancagem excessiva com garantia do FGC; o PL 1.141/2026, que dá à CVM poder de supervisão sobre empréstimos bancários; e o PL 1.335/2026, que prevê até 12 anos de prisão por gestão fraudulenta. O BRB, que propôs aumento de capital de R$ 8,86 bilhões após o impacto da operação frustrada, nunca enviou ao BC o relatório final da PwC, apenas uma versão prévia de julho de 2025, baseada em um perímetro de transação que já havia mudado significativamente.

O que observar

O processo no TCU expõe uma assimetria de informação que vai além do caso Master. A auditoria do TCU concluiu que mais de R$ 10 bilhões em ativos do Master careciam de comprovação de existência. Quando o comprador de um banco (BRB) contrata uma due diligence e o resultado aponta inconsistências bilionárias, mas a negociação segue adiante mesmo assim, o problema deixa de ser contábil e passa a ser de governança. O TCU apontou “falta de diligência e possível gestão temerária” da diretoria do BRB. Em episódio do podcast Let’s Money sobre o caso Banco Master, Marília, co-fundadora da Nord Investimentos, já havia alertado: “quando um banco está pagando CDI mais 2, 3%, você precisa se perguntar: por que ele está pagando tanto?”

Os três projetos de lei apresentados pela CAE sinalizam que o Congresso tenta criar barreiras regulatórias que não existiam antes da crise. Vale acompanhar se a tramitação avança com velocidade suficiente para impactar o ciclo seguinte de captação de bancos médios via CDBs de alta remuneração.

Fontes: Valor EconômicoSenado NotíciasSBT NewsLet’s Money Podcast

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