A Quadra Capital fechou acordo com o BRB para estruturar um FIDC com carteira que inclui créditos da Credcesta e participações em Oncoclínicas e Ambipar, conforme apurou o Valor. Essa carteira seria a mesma que o Banco Central pediu ao Master substituir em 2025 por identificar indícios de fraude, segundo fontes próximas da operação.
Estrutura do FIDC BRB-Quadra Capital
| Componente |
Valor |
| Valor de face dos ativos |
R$ 20-21 bilhões |
| Injeção da Quadra Capital (cota sênior) |
R$ 3-4 bilhões |
| Cotas subordinadas (BRB) |
R$ 11-12 bilhões |
| Prazo para definição do tamanho |
até 30 de maio de 2026 |
Estrutura do FIDC conforme apurado pelo Valor Econômico. Fonte: Valor Econômico
A carteira que o BC pediu ao Master trocar
A carteira em questão seria a que o Banco Central havia pedido ao Master substituir na negociação com o BRB, em 2025, após identificar indícios de fraude. “Não se tratam de ativos fictícios”, explicou uma fonte ao Valor. O que ainda não se sabe é o total que será recuperado. Além da Credcesta, que cedeu créditos a pessoas físicas e jurídicas, a carteira inclui participações societárias em companhias abertas como Oncoclínicas e Ambipar, além da farmacêutica Biomm.
O banco distrital, sob pressão desde o início do ano para evitar intervenção federal, já vinha vendendo imóveis para honrar compromissos de curto prazo. Essa é a primeira transação envolvendo diretamente uma carteira herdada do banco de Daniel Vorcaro. O fato relevante com o intervalo de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões para a injeção inicial foi divulgado na noite de segunda-feira.
Como o FIDC vai funcionar
Pela estrutura desenhada, os ativos serão transferidos ao fundo e a Quadra vai trabalhar na recuperação seja pela venda de participações, por cobranças ou por execuções judiciais. A gestora terá parte da cota sênior e receberá o primeiro valor recuperado, correspondente ao montante injetado, de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Depois disso, o restante, de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões, seria distribuído aos cotistas conforme o volume recuperado. Outras gestoras especializadas em ativos estressados manifestaram interesse na operação.
O tamanho final da transação será definido até 30 de maio, prazo em que o BRB precisa divulgar seus demonstrativos financeiros em atraso. A operação tem ainda condições precedentes, sendo a principal o aval do Banco Central. Em paralelo, o banco avalia se consegue um empréstimo do FGC a custo menor, o que poderia alterar o escopo do acordo com a Quadra.
O que observar
A principal incógnita é o índice de recuperação dos ativos: participações em companhias abertas com dificuldades financeiras têm valor de mercado variável, e créditos do segmento de consignado dependem da capacidade de cobrança do fundo. O quanto o fundo consegue recuperar determina diretamente o retorno para os cotistas subordinados, que carregam o risco residual. Vale observar se o aval do BC será concedido dentro do prazo ou se gerará uma nova rodada de negociação.
O modelo vem ganhando escala num mercado de FIDCs que cresceu 122% em 2025, e tende a se tornar referência para outros casos similares no setor. A questão regulatória central é quem assume o risco residual quando os ativos se revelam menores do que o esperado, e em que medida as cotas subordinadas retidas pelo banco de origem são suficientes para proteger os investidores sênior.
Fontes: Valor Econômico • InvestNews