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Visa e Mastercard põem token no comando do comércio com IA

Visa e Mastercard escolheram não brigar com OpenAI pelos assistentes de IA e constroem a camada de tokens que autoriza agente IA a fazer compra.

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· 4 min

Atualizado em

In Green / Shutterstock.com

Visa e Mastercard escolheram não brigar com OpenAI, Google e Perplexity pelos assistentes de IA. As duas bandeiras agora constroem a camada de tokens que decide quais agentes podem fazer uma compra, segundo análise da PYMNTS Intelligence. O movimento define o trilho do comércio com IA também no Brasil, onde Visa e Mastercard dominam a emissão de cartões.

Os trilhos paralelos de Visa e Mastercard

Bandeira Programa Função
Visa Agent Score Avalia se site está pronto para receber agentes de IA
Visa Agentic Directory Registro de agentes e comerciantes verificados
Visa Novas capacidades de token Enriquece dados e sinais de garantia em compras agênticas
Mastercard Agent Pay Credencial tokenizada que autoriza transações por agente IA
Mastercard Parceria Wizard e Stripe Integra Agent Pay a plataforma de compras com IA

Programas de Visa e Mastercard para a camada de tokens do comércio com IA. Fonte: PYMNTS

O que cada bandeira colocou na mesa

A Visa apresentou na semana passada o Agent Score, ferramenta que avalia se um site comercial está pronto para receber agentes de IA, e o Agentic Directory, registro de agentes e comerciantes que a bandeira reconhece como participantes legítimos do comércio agêntico. Ambos foram anunciados em 10 de junho de 2026, no Visa Payments Forum, ao lado de novas capacidades de token desenhadas para enriquecer dados de transação. “A IA está transformando a ponta da frente do comércio. As stablecoins estão reformulando a ponta de trás”, disse Jack Forestell, diretor de produto e estratégia da Visa, em tradução livre. A bandeira também fechou parceria com a OpenAI para autorizar pagamentos no ambiente do assistente.

A Mastercard segue lógica parecida, mas via parceiros. O Mastercard Agent Pay foi integrado, junto com o Mastercard Insight Tokens, à plataforma de compras com IA da Wizard, do cofundador da Jet.com Marc Lore, com pagamento processado via Stripe Shared Payment Tokens. O Insight Token entrega ao agente dados sobre como consumidores de cada região gastam, e o Agent Pay autoriza a transação preservando proteções de emissor, comerciante e consumidor. Em paralelo, a Mastercard lançou rede de pagamento entre agentes de IA.

Onde o token deixa de ser ferramenta antifraude

O movimento se condensou em uma semana intensa. A Adyen lançou suite de APIs para o comércio agêntico nos EUA, e Visa e Stripe levaram stablecoin ao mesmo terreno. Em pesquisa da PYMNTS Intelligence com a Worldpay, citada na análise, 45% dos consumidores se dizem confortáveis em delegar compras a agentes de IA, mas 95% expressam ao menos uma preocupação sobre o tema, e metade dos americanos diz que confiaria mais se a proteção contra fraude estivesse claramente definida.

Por trás da disputa entre OpenAI, Google e Perplexity pelo assistente que o consumidor vai usar, existe uma camada mais profunda da stack de pagamentos. O token, antes ferramenta antifraude que substituía o número do cartão por uma credencial segura, passa a funcionar como mecanismo de identidade entre partes que talvez nunca interajam diretamente. Em um pagamento tradicional, o comerciante sabe que o consumidor iniciou a compra. Em um pagamento agêntico, o software pode estar agindo com base em instruções dadas horas, dias ou semanas antes. O comerciante precisa, então, decidir não só se a credencial é válida, mas se o software está agindo com autoridade legítima.

A leitura de que a bandeira ganha quando vira trilho de integração, e não quando entrega o produto final ao consumidor, já aparecia em junho de 2025. Naquele mês, Leonardo Enrique, diretor executivo da Visa, apresentou no podcast Let’s Money o Visa Conecta, instituição de pagamento da bandeira focada em Open Finance e iniciação de pagamentos, posicionada como hub para que outros modelos de negócio sejam construídos sobre o trilho. A mesma lógica aparece agora no comércio com IA: a Visa entrega infraestrutura, autenticação e dado, e deixa o produto-fim a quem se relaciona com o cliente.

“Nenhuma das duas empresas tenta ser dona de cada assistente de IA. Ambas tentam se estabelecer como intermediárias confiáveis entre consumidores, comerciantes e software autônomo”, resumiu a análise da PYMNTS, em tradução livre. O cálculo das bandeiras é que LLMs vão continuar evoluindo, mas a camada de autorização tende a ser mais durável que qualquer assistente específico, e quem a controlar terá voz sobre como o comércio com IA opera.

O que observar

O desenho que está sendo proposto pelas redes globais redistribui o papel de cada participante de um pagamento. Adquirentes e gateways podem virar pontes de leitura de token de identidade, processadores nacionais ficam diante da escolha de aderir ao trilho global ou desenhar o próprio, e emissores ganham camada extra de risco para administrar, já que é a credencial deles que será usada por um software. No Brasil, o desafio adicional é como esse arranjo conversa com o Pix, que já tem estrutura própria de autenticação e devolução de valores em casos de fraude. Vale acompanhar se o Banco Central define padrões de identidade de agente em pagamentos com IA ou se permite que cada bandeira opere o próprio framework, e como ficam adquirentes, gateways de pagamento e emissores diante do desenho que está sendo construído sem eles na mesa.

Fontes: PYMNTSVisa NewsroomMastercard NewsroomPYMNTS, Mastercard e Stripe na Wizard

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