O Débito Direto Autorizado (DDA) ultrapassou 100 milhões de usuários cadastrados em abril, alta de 16,5% em 12 meses, segundo a Núclea. Atualmente, 60% das liquidações de boleto já ocorrem pelo sistema, que nasceu em 2009 e ganhou impulso com a expansão da bancarização.
DDA em números: abril de 2026
| Indicador |
Dado |
| Usuários cadastrados |
100 milhões (+16,5% a.a.) |
| Composição: pessoas físicas |
92,34% |
| Composição: pessoas jurídicas |
7,66% |
| Liquidações de boleto via DDA |
~60% do total |
| Boletos emitidos em 2025 |
8,2 bilhões (+3% vs 2024) |
Dados da Núclea, abril de 2026. Fonte: Valor Econômico
O impulso da bancarização
O DDA foi criado em 2009 pela Febraban em parceria com bancos associados. Por anos cresceu de forma modesta, mas nos últimos exercícios passou a registrar altas de dois dígitos, resultado direto da expansão da base de correntistas no Brasil. “Aumentou muito o número de pessoas físicas bancarizadas, e elas acabam autorizando a apresentação digital do boleto”, disse André Daré, CEO da Núclea.
Para os bancos, o sistema vai além da comodidade operacional: o DDA expande o perfil de dados do cliente. “O banco já usa as informações de cartão de crédito e passa a usar também informações de boleto para poder conhecer melhor o consumidor e fazer ofertas de serviços melhores, e isso gera uma fidelização maior”, afirmou Daré. O movimento confirma a tese de que a bancarização digital amplia o relacionamento entre banco e cliente.
Boleto resiste ao Pix e prepara novos vetores
O crescimento do DDA acompanha a resiliência do próprio boleto. Apesar da popularização do Pix, o boleto segue dominante nos pagamentos B2B, com 8,2 bilhões de documentos emitidos em 2025, crescimento de 3% ante o ano anterior. A liquidação no mesmo dia (D+0, para pagamentos até 13h30, desde 2024) e o Bolepix, regulamentado pelo Banco Central em fevereiro do ano passado, contribuíram para sustentar o volume.
À frente, Daré vê dois catalisadores adicionais. O primeiro é a duplicata escritural, versão eletrônica da duplicata, que deve impulsionar o boleto dinâmico ao permitir redirecionamento automático de pagamentos ao credor final mesmo após cessão de crédito. O segundo é o split payment da reforma tributária, mecanismo que separa automaticamente o imposto no momento da liquidação. “A Núclea já fez uma proposta para que o boleto seja o primeiro instrumento a fazer isso de forma automática para quem pagar”, afirmou o executivo.
O que observar
A meta de 150 milhões de usuários implica crescimento de 50% a partir do patamar atual. O ritmo anual de 16,5% sustentaria esse número em cerca de três anos, mas há um teto natural: a base de adultos bancarizados no Brasil gira em torno de 150 a 160 milhões. Vale acompanhar se o vetor de crescimento passa a ser o segmento de pessoas jurídicas, hoje em apenas 7,66%, onde a adoção ainda é baixa e a duplicata escritural pode funcionar como incentivo de entrada.
O outro eixo a monitorar é o split payment. Se o boleto realmente se tornar o primeiro instrumento com segregação automática de imposto, isso representa vantagem estrutural sobre outros meios de pagamento na disputa pelo fluxo B2B, exatamente o segmento onde o boleto hoje concentra sua participação dominante.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money