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Cora entra em adquirência com maquininha e Tap to Phone

Cora entra em adquirência com maquininha e Tap to Phone. CEO projeta que a nova vertical será maior do que toda a empresa em 2 a 3 anos.

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· 4 min

Atualizado em

Foto: Abner Garcia / Let's Money

A fintech Cora vai lançar maquininhas de cartão e tecnologia Tap to Phone para disputar o mercado de adquirência, apostando em custo operacional de R$ 14 por cliente para oferecer taxas abaixo dos concorrentes, segundo Igor Senra, co-fundador e CEO, em entrevista à Bloomberg Línea.

Cora em números

Métrica Valor
Clientes ativos 1,7 milhão
TPV (1T2026) ~R$ 50 bilhões
Crescimento de receita (a/a) ~50%
Custo de servir por cliente R$ 14 (vs. ~R$ 140 nas grandes instituições)
Atendimento automatizado por IA 85%
Última captação US$ 116 mi, Série B (2021)

Indicadores operacionais da Cora. Fonte: Bloomberg Línea

A aposta em adquirência

O produto está em fase beta, com parceiros pontuais, e a oferta atual se limita a link de pagamento. A expectativa é ampliar para maquininhas físicas e Tap to Phone, tecnologia que transforma o celular em terminal de pagamentos. O mercado alvo é amplo: segundo a Abecs, as transações com cartões no Brasil somaram mais de R$ 1,1 trilhão no primeiro trimestre de 2025, depois de alcançarem R$ 4,5 trilhões no ano anterior. A Cora entra num segmento disputado por PagBank, Mercado Pago, Stone, InfinitePay e SumUp, entre outros. “Esse produto sozinho vai ser maior do que toda a Cora em dois ou três anos”, afirmou Senra. “É um produto em que as pessoas têm uma alta sensibilidade a custo e nós iremos entrar com a possibilidade de derrubar o custo de maneira importante.”

Senra e seu sócio, Leonardo Mendes, conhecem o segmento: ambos foram fundadores da Moip, startup de meios de pagamento vendida à Wirecard em 2016 e posteriormente adquirida pela PagSeguro/PagBank em 2020. A experiência contribuiu para a validação rápida da tese de conta digital para PJ. “Se você for pensar que a dinâmica de banking é um jogo de xadrez, a conta digital é o tabuleiro. É o que permite que tudo aconteça, é lá que as informações afluem”, disse Senra.

Verticalização, IA e crédito

Em 2023, a Cora passou por um processo de verticalização, eliminando intermediários e assumindo a infraestrutura direta de Pix e boletos. Hoje, 100% das transações passam por modelos proprietários de IA para análise de risco, prevenção à lavagem de dinheiro e fraude, e 85% do atendimento ao cliente é resolvido de forma automatizada. A empresa saiu de menos de 1 milhão para 1,7 milhão de clientes e atingiu o breakeven um ano depois. “O nosso custo de servir os clientes é na casa de R$ 14,00, cerca de 10% do valor para as grandes instituições. Isso nos permite, com muito menos dinheiro, cobrar muito menos e lucrativo”, disse Senra.

A terceira vertical é o crédito, onde a liderança projeta triplicar o ARPU dos atuais R$ 200 para R$ 600, com produtos como capital de giro e antecipação de recebíveis de boleto. “Nós estamos falando de um negócio que hoje representa 20% do todo, mas que tem o potencial de ser três vezes maior do que o todo hoje”, afirma Senra. A última captação da empresa foi a série B de US$ 116 milhões em 2021, liderada pelo Greenoaks Capital, com participação de Tiger Global e Tencent. Novas rodadas estariam fora do radar, e o caixa seria “suficiente para as ambições”, segundo o executivo.

O que observar

A tese de custo operacional baixo como diferencial em adquirência é bem estabelecida entre fintechs digitais, mas o segmento exige gestão de hardware, logística de equipamentos e suporte físico que produtos puramente digitais não precisam operar. A questão central é se o modelo escala sem comprometer a eficiência quando o volume de maquininhas crescer. O mercado já conta com concorrentes digitais que também constroem sua proposta de valor em torno de eficiência operacional.

O outro ponto a acompanhar é o sequenciamento de verticais: a empresa abre adquirência enquanto crédito ainda representa 20% do total da receita e ainda não atingiu a escala projetada. Crescer duas frentes em paralelo com caixa próprio, sem novo capital externo, exige que a geração de caixa da conta bancária sustente os investimentos iniciais nas outras duas linhas. O ritmo de conversão da base de clientes PJ existente em usuários de adquirência será o principal indicador a acompanhar nos próximos trimestres.

Fontes: Bloomberg LíneaLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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