A Rise Finance estreou no mercado de Real World Assets (RWA) com o BATS001, token lastreado em instrumentos musicais que promete rentabilidade-alvo de 19,23% ao ano, acima do CDI. O lançamento vem na esteira de uma rodada pré-seed de R$ 3 milhões concluída em janeiro, com a participação de Katia Moroni, cofundadora do Banco Original, e do escritório CBA, que redigiu parte da regulação cripto do Banco Central.
BATS001 vs CDI: rentabilidade-alvo
| Ativo |
Rentabilidade |
Garantia |
| BATS001 (Rise Finance) |
19,23% ao ano (1,476% ao mês) |
Penhor mercantil sobre estoque de instrumentos |
| CDI (referência) |
~14,4% ao ano |
N/A |
Rentabilidade-alvo do BATS001 versus CDI. Fonte: Startups.com.br
Como funciona o BATS001
O token representa digitalmente uma Nota Comercial emitida pela BATS, empresa pioneira no aluguel de instrumentos por assinatura no Brasil. O investidor não compra o instrumento nem adquire participação societária: compra um título de dívida com direito a juros mensais e devolução integral do principal no vencimento. Os recursos captados financiam a compra de novos instrumentos, que geram receita recorrente por locação e venda eventual. Desse fluxo operacional saem os pagamentos mensais. O produto segue a Resolução CVM nº 88, está registrado em blockchain via infraestrutura da Dexcap e conta com garantia de penhor mercantil sobre o estoque da BATS.
“A Rise começou muito com esse intuito de facilitar a vida do investidor para entrar nesse mundo de investimentos que nem todo mundo conhece de maneira segura, regulada. Porque existe fraude para tudo que é lado. Mas dentro da blockchain você consegue deixar isso transparente, você consegue ver o seu dinheiro andando”, explicou Vitor Delduque, co-founder e CRO da Rise.
Pipeline: imóveis e um fundo americano para o Brasil
Por trás da Rise está Delduque, que veio da área de tokenização do Mercado Bitcoin, que ele deixou em 2024 para fundar a fintech com Caco Grandino e Vitor Freire. Antes do BATS001, a empresa já operava o Rise Liquid Yield (exposição a pool de liquidez dólar/dólar via contrato inteligente) e o Rise Fixed Income (renda fixa com 100% de garantia de capital próprio dos sócios e isenção de IR). O próximo ativo de RWA no pipeline é da Pacífico Sul, empresa de compra e revenda de imóveis em leilão, que funcionará como um fundo imobiliário tokenizado.
No plano internacional, a Rise fecha parceria com a Fairbanks, gestora de fundo fechado de Rancho Santa Fe (Califórnia), voltada a famílias bilionárias com mais de 30 anos de mercado. Segundo a Rise, será a primeira vez que o fundo estará disponível fora dos EUA. A iniciativa se encaixa num mercado em expansão acelerada: a tokenização de ativos reais pode ultrapassar US$ 16 trilhões até 2030, segundo estimativas do Bank of America e do Boston Consulting Group. No Brasil, o segmento também tem atraído iniciativas que cruzam blockchain com economia criativa, como o Tune.Bank, que usa a tecnologia para destravar crédito no setor musical.
O que observar
O modelo combina dois riscos que precisam ser monitorados separadamente: o risco operacional da emissora (se o modelo de locação de instrumentos gera o fluxo prometido) e o risco de liquidez do token (se o investidor consegue sair antes do vencimento).
Emissoras de RWA estruturado como renda fixa digital dependem do desempenho do negócio subjacente, e o histórico de fintechs de tokenização com ativos não convencionais ainda é curto no Brasil. Vale acompanhar se a expansão do pipeline para imóveis e ativos internacionais amplia a diversificação ou dilui o foco operacional da empresa.
Fontes: Startups.com.br