Em 8 ondas de pesquisa realizadas de abril de 2025 a março de 2026, com cerca de 2.500 consumidores americanos por onda, planos de parcelamento no cartão de crédito superaram o BNPL consistentemente por 2 a 1, incluindo entre a Geração Z, principal segmento-alvo do modelo.
BNPL vs. cartão parcelado: dados de 8 ondas (EUA, 2025-2026)
| Métrica |
Valor |
| Cartão parcelado vs. BNPL (relação geral) |
2:1 em todas as 8 ondas |
| Geração Z: uso de cartão parcelado |
47% |
| Geração Z: uso de BNPL |
23% |
| BNPL: renda abaixo de US$ 50k/ano |
10% |
| BNPL: renda acima de US$ 150k/ano |
20% |
| Atraso: BNPL usado para essenciais |
76% |
| Atraso: BNPL usado para compras pontuais |
43% |
Dados de 8 ondas de pesquisa (abr/2025–mar/2026, ~2.500 respondentes por onda). Fonte: PYMNTS Intelligence
A vantagem que o BNPL não conseguiu replicar
Os emissores de cartão não precisaram lançar novos produtos para competir. Passaram a promover de forma mais agressiva as opções de parcelamento já presentes em suas ofertas existentes. Para o cliente, isso significa o mínimo de atrito: sem abertura de nova conta, sem solicitação de crédito. O BNPL, por outro lado, geralmente exige cada uma dessas etapas. “Essa vantagem estrutural para as emissoras de cartões tem se mostrado, até agora, imbatível”, aponta o relatório da PYMNTS Intelligence.
O resultado acumulado: a proporção 2:1 se manteve estável em todas as 8 ondas, o que significa que o BNPL não ganhou terreno em 12 meses. Em paralelo, o principal player global do setor já sinalizou pivô para modelo bancário completo, em movimento que reflete essa estagnação.
A inversão demográfica que contraria a proposta original
O BNPL foi desenhado para inclusão financeira: aprovação no momento da compra, sem cartão, sem histórico de crédito necessário. A pesquisa revela o oposto: apenas 10% dos consumidores com renda abaixo de US$ 50 mil por ano usaram o modelo nos últimos 90 dias. Entre os que ganham mais de US$ 150 mil, a taxa dobra para 20%. Para esse grupo, o modelo funciona como otimizador de fluxo de caixa, não como ferramenta de acesso.
A Geração Z segue o mesmo padrão: 47% usaram cartão parcelado ante 23% de BNPL. A diferença é consistente em todas as ondas e se repete entre millennials. O relatório sugere que o relacionamento financeiro preexistente e a familiaridade com produtos baseados em cartão determinam o comportamento mais do que qualquer especificidade etária.
O risco estrutural mais claro está no uso para despesas essenciais: 76% dos que usaram BNPL para itens básicos relataram atraso em pelo menos um pagamento, contra 43% entre os que usam apenas para compras pontuais. A diferença de cerca de 30 pontos percentuais se manteve estável nas 8 ondas, e o produto foi expandido para o débito justamente quando esse desalinhamento ficou evidente.
O que observar
A pergunta que os dados levantam não é sobre adoção total, mas sobre posicionamento. Se consumidores de alta renda adotam o BNPL como ferramenta de gestão de fluxo de caixa, e consumidores de baixa renda permanecem abaixo das expectativas de adoção, a proposta original de inclusão financeira precisa ser revisitada. Provedores especializados em parcelamento digital enfrentam a decisão de manter o foco nesse nicho ou migrar para uma oferta mais ampla, o que os aproxima da proposta dos emissores tradicionais de cartão.
Vale acompanhar os consumidores que usam BNPL para despesas essenciais recorrentes. Com inadimplência de 76%, o modelo cria risco de ciclo de dívida para exatamente o perfil que se propunha a proteger. A pergunta regulatória, já em discussão nos EUA e na Europa, é se esse padrão de uso em essenciais deve ser tratado como produto de crédito convencional, com as obrigações de disclosure e limitação de custo que isso implica.
Fontes: PYMNTS Intelligence • Let’s Money • Let’s Money