O Santander lançou nesta quarta-feira (22) no Brasil a Beyond Wealth, marca global de family office que soma mais de US$ 6 bilhões em ativos sob serviço e atende mais de 250 famílias no Brasil, na Espanha e em Miami.
Beyond Wealth: dados operacionais no lançamento
| Indicador |
Dado |
| Presença no lançamento |
Brasil, Espanha e Miami (EUA) |
| Famílias atendidas |
mais de 250 |
| Ativos sob serviço |
mais de US$ 6 bilhões |
| Próxima expansão |
Suíça |
| Patrimônio mínimo no Brasil |
R$ 100 milhões (modelo de consultoria) |
Dados do lançamento da Beyond Wealth. Fonte: Estadão
A aposta na independência de marca
A decisão de operar sob uma bandeira que não carrega o nome do banco controlador tem objetivo declarado: reforçar a independência percebida pelo cliente de family office. “Queremos trazer uma oferta global unificada”, disse Daniel Castilho, responsável pela operação no País, em entrevista ao Estadão. A plataforma funciona em arquitetura aberta para seleção de produtos, mas utiliza a infraestrutura do grupo para segurança, compliance e research.
Modelo global de investimentos
A gestão de ativos internacionais é coordenada por um comitê global liderado por um diretor de investimentos (CIO) internacional, com representantes das geografias onde a plataforma opera. Além das carteiras, a oferta abrange planejamento patrimonial, sucessório e de filantropia, e apoio em processos de internacionalização de patrimônio e educação de herdeiros. A estruturação do braço de family office do banco espanhol no Brasil havia sido iniciada em março deste ano.
Expansão e público-alvo no Brasil
A operação brasileira atende famílias com patrimônio a partir de R$ 100 milhões, atualmente sob modelo de consultoria. O banco prevê a migração, nos próximos meses, para um formato que inclua gestão ativa do patrimônio, o que deve ampliar o alcance para a base de private banking. No segmento, plataformas de gestão de patrimônio familiar vêm se estruturando para capturar clientes de alta renda. “Mas não é um negócio de escala”, ponderou Castilho, reforçando que a expansão acompanhará o crescimento da equipe.
O que observar
A criação de marcas próprias para o segmento de grandes fortunas por grandes bancos internacionais levanta uma tensão estrutural: quanto mais o posicionamento enfatiza independência e arquitetura aberta, mais evidente fica a questão de como equacionar isso com a dependência de infraestrutura do conglomerado controlador. Clientes com patrimônio dessa magnitude tendem a consultar múltiplas plataformas antes de decisões de migração, e a credibilidade da proposta de independência será testada na prática, não no discurso de lançamento.
A transição do modelo de consultoria para gestão, prevista para os próximos meses, é o ponto operacional mais crítico. Esse movimento amplia o endereçamento para um perfil com expectativas de custo e atendimento distintos dos clientes de family office puro. Como instituições financeiras calibrarão preço, equipe e oferta para servir dois perfis com necessidades diferentes, sem comprometer a experiência do segmento superior, deve ser observado de perto.
Fontes: Estadão • Let’s Money