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Yuno roda mais de 200 agentes de IA na infraestrutura

Walter Campos, general manager da Yuno para a América Latina, diz que a orquestradora opera mais de 200 agentes de IA na própria infraestrutura.

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· 6 min

Atualizado em

Walter Campos, Yuno

A Yuno troca dezenas de contratos técnicos por um só. A orquestradora de pagamentos nascida na Colômbia opera hoje mais de 200 agentes de inteligência artificial dentro da própria infraestrutura, entre os que rodam portas adentro e os que ela entrega ao lojista no painel. Em agosto de 2026, a companhia fechou uma Série B de US$ 45 milhões para bancar pesquisa, ampliar a rede global e abrir uma frente voltada a bancos.

Em entrevista ao Let’s Money Podcast, Walter Campos, general manager para a América Latina da Yuno, descreveu como essa camada foi montada e para onde ela vai. Pela leitura dele, a disputa da orquestração já não se decide na quantidade de provedores conectados, mas em por onde cada transação passa.

A conta que não fechava dentro da Rappi

A tese nasceu de um problema doméstico. Juan Pablo Ortega, cofundador da Rappi, olhou para o próprio time e viu, na descrição de Campos, que “eu tenho mais desenvolvedor fazendo conexão de pagamento do que desenvolvendo o próprio produto e o serviço da Rappi”. Com Julián Núñez, criou a Yuno em 2022. O diagnóstico, na formulação do executivo, era estrutural: “a fragmentação em pagamento sempre foi uma problemática que existiu e não tinha uma solução para isso”.

A dimensão, na conta dele, é de escala. “um cliente, para ir global, ele faz, no mínimo, 500 integrações”, afirmou, sobre um dado que diz ter olhado na véspera e para o qual não apresenta fonte publicada. Concentradas em cem provedores, essas integrações viram custo operacional. “São 100 dashboards para entrar, são 100 dashboards para conciliar, são 100 dashboards para operar”, disse.

A cobertura atual, segundo ele, chega a mais de 200 países, número declarado no ar sem período nem volume. Ao anunciar a rodada, semanas antes, a empresa havia divulgado outro recorte da mesma malha: 460 integrações espalhadas por mais de 190 países.

A rota que o lojista monta no clique

O produto é um painel em que o caminho da transação se monta por clique. O lojista define se manda primeiro ao adquirente ou à prevenção de fraude, se acrescenta autenticação extra, se dispara a cobrança com token de bandeira. Cada etapa dessas era um trecho de código antes. Montada a sequência, ela entra no ar com um comando.

Na camada seguinte entra o que ele chama de inteligência. O cliente pode pôr uma rota feita à mão para competir com outra desenhada por inteligência artificial e comparar o resultado. Quando um provedor nega uma transação passível de nova tentativa, o sistema a envia ao próximo em milésimos de segundo, e o histórico indica qual banco emissor aprova mais em cada tipo de transação, país e faixa de ticket. Como cada provedor devolve o dado no próprio formato, a plataforma entrega as duas versões, a original e a padronizada. É o que permite à Arcos Dourados, do McDonald’s na América Latina, acompanhar a conversão dos 21 países num painel só.

As camadas da orquestração, do checkout ao roteamento

Camada O que acontece nela
Checkout Métodos exibidos ao comprador, do cartão ao pagamento instantâneo
Conexão Uma integração no lugar de um contrato técnico com cada provedor
Roteamento Rota montada por clique e comparada com uma versão desenhada por IA
Retentativa Transação negada segue ao próximo provedor em milésimos de segundo
Leitura Dado de cada provedor devolvido no formato original e no padronizado

Camadas descritas por Walter Campos em entrevista ao Let’s Money Podcast.

Os agentes que já estão no painel

“são mais de 200 agentes dentro da infraestrutura funcionando”, afirmou Campos, contando tanto os que a empresa usa internamente quanto os que entrega ao cliente. A ordem de grandeza já aparece em outros pontos do setor: o PNC, dos maiores bancos dos Estados Unidos, construiu cerca de 115 agentes de IA que escreveram e testaram o código do novo aplicativo, com engenheiros humanos revisando a saída.

Dois deles têm nome e função declarada. O Payment Concierge lê o que passa no painel e aponta ao operador quando um provedor piora e a rota merece mudar. O regime ainda não é de autonomia: recompor o caminho sozinho numa queda de madrugada é etapa que ele descreve como em teste. “O Payment Concierge está indo para uma função que agora ele já está tomando decisão com o aval do cliente”, disse. O segundo é o Nova AI, herdeiro do e-mail de carrinho abandonado, ligado ao WhatsApp oficial do lojista para acionar o comprador quando a nova tentativa depende de ação humana. Campos cita, sem nomear o cliente nem informar vertical, país ou período, um caso em que 6% das transações travavam por código de segurança digitado errado.

Os ganhos que ele leva ao cliente vêm quase todos de dentro de casa. A companhia fez uma pesquisa global segundo a qual a orquestração aumenta de 5% a 15% a conversão de vendas, material citado no ar e não divulgado, sem amostra nem período. Recorte público existe em outra ponta da cadeia: no Fórum E-Commerce Brasil de julho, a Adyen apresentou um caso em que elevou a taxa de aprovação de pagamentos online da C&A em 4,7% e converteu R$ 24 milhões em vendas ao longo de seis meses.

A velocidade de entrega ele credita à cultura interna. “De todo mundo que está na Yuno, todo mundo coda. Eu codo”, afirmou. Há uma vice-presidência dedicada só a inteligência artificial, que contrata, valida e libera os modelos e responde pela segurança, mais um encontro semanal às quartas em que qualquer funcionário apresenta o que construiu. Sobre o resto do mercado, ele é seco: “o que tem hoje é muito buzz ainda, mas você não vê produto sendo entregue”.

Onde a orquestração deixa de ser só pagamento

A fronteira do produto já se moveu. Campos afirma ter na estrutura as linhas de BNPL (compre agora, pague depois) de todas as regiões, o que significa orquestrar crédito, e diz ser token requester de todas as bandeiras, com click to pay integrado. São afirmações do executivo, sem documento nem bandeira nomeada. O peso dessa camada é conhecido: o Click to Pay aprova 81% das compras, dois pontos à frente das tokenizadas comuns e oito à frente das que não usam token, segundo dados da Visa.

A empresa também abriu uma vertical para bancos e fintechs, frente que já aparecia no anúncio do aporte e que a coloca como infraestrutura, não só como camada do lojista. A cobrança segue o desenho de software como serviço: assinatura pelo acesso ao painel mais um custo fixo de centavos por transação, sem remuneração por performance, que ele diz evitar por gerar conflito com o provedor. “Eu não toco no dinheiro, não é o nosso objetivo”, afirmou. São, pela conta dele, entre 200 e 250 pessoas no mundo.

O argumento de fundo é de status dentro da empresa cliente. “pagamento era olhado como uma alavanca operacional, e ela é totalmente estratégica, ela é a última milha do teu cliente”, disse.

O que observar

Vale acompanhar se as orquestradoras transformam roteamento automatizado em ganho auditável pelo lojista, com vertical e período declarados, ou se o número segue saindo da própria casa. Para adquirentes e provedores de prevenção de fraude, a pergunta é o que acontece com a relação comercial quando um sistema compara todos em tempo real. Para o varejo, o teste é de governança: até onde delegar a recomposição de rota a um agente que decide de madrugada, e que trilha de auditoria sobra.

Fontes: Let’s Money PodcastLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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