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FGCbanco central · Banco Master

Mudanças nas regras podem distorcer o FGC, alerta Galípolo

Galípolo diz ter ‘bastante receio’ de que ampliar o FGC ao Banco Master distorça o fundo, criado para proteger poupadores de varejo.

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· 3 min

Atualizado em

Gabriel Galípolo alertou nesta segunda-feira (25) que o projeto do senador Renan Calheiros pode distorcer a finalidade do FGC ao estender cobertura a depósitos de RPPS e fundos de pensão no Banco Master. O presidente do BC afirmou que o fundo existe para proteger investidores de varejo: o tíquete médio de ressarcimentos fica bem abaixo do limite de R$ 250 mil.

FGC: cobertura atual vs proposta Calheiros

Tipo de investidor FGC hoje Proposta Calheiros
Pessoa física (poupança de varejo) Coberto até R$ 250 mil Coberto até R$ 250 mil
RPPS (previdência de servidores) Sem cobertura Coberto (proposto)
Entidades de previdência complementar Sem cobertura Coberto (proposto)

Estrutura de cobertura atual e proposta para o FGC. Fonte: Valor Econômico

Projeto com efeito retroativo, diz diretor do BC

O diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino, disse que o projeto proposto por Calheiros retroage para dar garantia a depósitos já realizados no Banco Master. Segundo Aquino, o FGC existe para proteção da poupança popular e para evitar corrida bancária. A proposta expandiria a cobertura especificamente para RPPS e entidades de previdência complementar com exposição ao Master: 18 regimes de previdência investiram R$ 1,8 bilhão em papéis do banco, segundo dados do Ministério da Previdência Social, com o maior lote concentrado na entidade de servidores do Rio de Janeiro, com cerca de R$ 1 bilhão aplicado entre 2023 e 2024.

Galípolo rebateu a lógica do projeto: “Tenho bastante receio de a gente provocar uma distorção sobre o que é a finalidade do FGC e que a gente passe a atribuir, com tíquetes maiores, um risco maior que desequilibre essa equação […] de ocorrência de sinistros”, disse o presidente do BC, durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira do 2S25. O argumento central do regulador é que o gestor de um fundo de pensão é um investidor profissional, remunerado para avaliar e precificar o risco de suas aplicações, diferente do poupador comum que o FGC foi desenhado para proteger. O fundo já acumula pressão: no início de março, quando o BC havia flexibilizado o compulsório para dar liquidez ao FGC, bancos anteciparam R$ 32,5 bilhões ao fundo para cobrir o rombo gerado pelo caso Master.

O que observar

A retroatividade é o ponto mais sensível da proposta. Alterar as regras de cobertura para proteger investimentos já realizados quebra a lógica atuarial do FGC, que precifica risco com base no perfil histórico dos beneficiários. Depósitos institucionais de grande porte mudam o cálculo de solvência do fundo em cenários de crise sistêmica.

A posição pública do presidente do BC contra uma proposta legislativa em curso marca um contraponto institucional claro: para o regulador, ampliar o FGC a gestores profissionais muda o perfil de risco do fundo de forma estrutural, não pontual. Vale acompanhar se o projeto avança no Senado e como o BC formaliza essa posição em eventual consulta ao Legislativo, e se outros instrumentos de ressarcimento para RPPS serão propostos em paralelo.

Fontes: Valor EconômicoTerra EconomiaLet’s Money: Bancos antecipam R$ 32,5 bi ao FGCLet’s Money: BC flexibiliza compulsório

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