Gabriel Galípolo alertou nesta segunda-feira (25) que o projeto do senador Renan Calheiros pode distorcer a finalidade do FGC ao estender cobertura a depósitos de RPPS e fundos de pensão no Banco Master. O presidente do BC afirmou que o fundo existe para proteger investidores de varejo: o tíquete médio de ressarcimentos fica bem abaixo do limite de R$ 250 mil.
FGC: cobertura atual vs proposta Calheiros
| Tipo de investidor | FGC hoje | Proposta Calheiros |
|---|---|---|
| Pessoa física (poupança de varejo) | Coberto até R$ 250 mil | Coberto até R$ 250 mil |
| RPPS (previdência de servidores) | Sem cobertura | Coberto (proposto) |
| Entidades de previdência complementar | Sem cobertura | Coberto (proposto) |
Estrutura de cobertura atual e proposta para o FGC. Fonte: Valor Econômico
Projeto com efeito retroativo, diz diretor do BC
O diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino, disse que o projeto proposto por Calheiros retroage para dar garantia a depósitos já realizados no Banco Master. Segundo Aquino, o FGC existe para proteção da poupança popular e para evitar corrida bancária. A proposta expandiria a cobertura especificamente para RPPS e entidades de previdência complementar com exposição ao Master: 18 regimes de previdência investiram R$ 1,8 bilhão em papéis do banco, segundo dados do Ministério da Previdência Social, com o maior lote concentrado na entidade de servidores do Rio de Janeiro, com cerca de R$ 1 bilhão aplicado entre 2023 e 2024.
Galípolo rebateu a lógica do projeto: “Tenho bastante receio de a gente provocar uma distorção sobre o que é a finalidade do FGC e que a gente passe a atribuir, com tíquetes maiores, um risco maior que desequilibre essa equação […] de ocorrência de sinistros”, disse o presidente do BC, durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira do 2S25. O argumento central do regulador é que o gestor de um fundo de pensão é um investidor profissional, remunerado para avaliar e precificar o risco de suas aplicações, diferente do poupador comum que o FGC foi desenhado para proteger. O fundo já acumula pressão: no início de março, quando o BC havia flexibilizado o compulsório para dar liquidez ao FGC, bancos anteciparam R$ 32,5 bilhões ao fundo para cobrir o rombo gerado pelo caso Master.






