A Mambu defende que core bancário moderno deixou de ser tema de TI e virou base para os bancos sustentarem agentes de IA. Em entrevista ao Let’s Money Podcast, Luciano Longo, country manager da plataforma para o Brasil, posiciona 2026 como o ano em que a transformação de arquitetura deixa de ser ambição e passa a condicionar a próxima onda de produtos financeiros.
Por que o core moderno virou base para os agentes de IA
O argumento central do Luciano é que arquitetura virou o teto da adoção de IA nos bancos. Em sistemas legados, agentes não encontram APIs limpas, processos bem definidos nem rastreabilidade para decidir, executar e reconciliar operações com segurança. “Se você colocar um agente, ele vai cometer erro, só que ele vai cometer muitos erros e muito mais rápido”, afirmou no podcast. A consequência prática, na leitura do executivo, é menos sobre o modelo de IA e mais sobre o que está embaixo dele, ou seja a arquitetura do core bancario.
O cenário brasileiro confirma a divisão. Em uma ponta, o Itaú acelerou desenvolvimento de software em até 300% com agentes de IA, e o Bradesco optou por manter mainframe no core e plugar IA por cima. Em outra ponta, fornecedores correm para vender core com IA embarcada. A leitura de Longo é que mexer na linguagem de programação ou adicionar IA ao redor não é transformação: se a arquitetura não muda, o carro continua o mesmo, na analogia que usou no podcast.
A aposta brasileira: hub multi-trilho e plataforma como base
A Mambu opera em mais de 65 países, com base de clientes que inclui N26, Western Union, BancoEstado, ABN AMRO e Raiffeisen Bank. No fim de 2024, comprou a francesa Numeral, paytech que processa mais de €10 bilhões por ano em pagamentos, e ancorou a estratégia em Mambu Payments, uma camada que se propõe a conectar Pix, SEPA, ACH, SWIFT e equivalentes locais sob a mesma plataforma.

No Brasil, a conexão com o Pix se dá via Direto com a propria instituição, ou Indireto com Bank Sponsor e via PSTI. Para 2026, a empresa prepara a integração de stablecoins na plataforma, com mais de um trilho disponível. O caminho de chegada ao mercado brasileiro passa, em boa parte, novas empresas iniciam pelo BaaS: segundo Longo, há empresas que rodam Mambu por baixo sem saber, porque contrataram via fornecedoras de banking-as-a-service, ou seja “O nosso core bancário é da Mambu”, disse, descrevendo o posicionamento que as parceiras costumam adotar com os próprios clientes.
O que observar
O ponto de tensão recai sobre instituições de médio porte, que pagam o custo cumulativo de adiar a transformação. Pesquisa global da Sinch com 2.527 executivos mostrou que 74% das empresas já precisaram desativar ou reduzir operações de agentes de IA, número que reforça o argumento de que é a arquitetura, e não o modelo que define o teto da adoção. Entre as companhias mais maduras digitalmente, a taxa subiu para 81%, lida pelos pesquisadores como sinal de maior capacidade de detectar falhas, não de pior desempenho.
Vale acompanhar como bancos e prestadoras de BaaS vão arbitrar entre construir transformação interna e usar plataformas cloud-native como serviço. A pergunta operacional é, se a próxima onda de produtos financeiros, com agentes autônomos, pagamentos cross-border instantâneos e ativos tokenizados, vai aceitar prazo de adequação superior a um ano em arquitetura.
Fontes: Let’s Money Podcast, EP102 com Luciano Longo • PR Newswire