O Banco de Brasília (BRB) tem até o fim de maio para executar o plano de capitalização exigido pelo Banco Central, e a privatização do banco público, até aqui palavra proibida nos corredores da instituição, passou a ser discutida internamente como alternativa para evitar a liquidação, segundo apuração do NeoFeed.
O cardápio de opções do BRB
| Opção | Situação |
|---|---|
| Capitalização pelos acionistas (GDF) | Tentada; sem conclusão |
| Empréstimo de consórcio bancário | Recusado sem aval do Tesouro |
| Venda de ativos do Master (Quadra Capital) | R$ 15 bi; R$ 4 bi à vista, pendente |
| Federalização pelo governo federal | Descartada; Tesouro negou envolvimento |
| Privatização | Novo cenário; precisaria de aprovação legislativa |
Opções de recuperação financeira em análise. Fonte: NeoFeed
O prazo do BC e o impasse em torno do BRB
O Banco Central vem cobrando medidas concretas de capitalização e realizou reuniões recentes com o presidente do BRB e outros representantes do banco, incluindo uma no feriado do Dia do Trabalhador, em 1º de maio, segundo fontes a par das negociações ouvidas pelo NeoFeed. A crise que gerou a pressão remonta à relação do BRB com o Banco Master: o banco público de Brasília herdou um rombo bilionário de operações que o próprio BC havia vetado. A crise já havia provocado, em março, uma tentativa de intervenção judicial recuada após reunião do BC.
A janela de menos de um mês, num ano eleitoral, é o principal fator que pressiona o banco a trabalhar com cenários antes impensáveis. O presidente da instituição, Nelson de Souza, vinha negando publicamente a possibilidade de privatização nos dois meses anteriores. Internamente, palavras como “federalização”, “privatização” e “liquidação” eram tratadas como proibidas pela cúpula do banco.
O caminho de federalizar o BRB está fechado: na segunda-feira, 5 de maio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou em entrevista ao Roda Viva que a questão é responsabilidade do GDF, sinalizando que um aval do Tesouro está fora de cogitação. Antes mesmo dessa declaração, bancos federais já haviam descartado interesse em assumir o controle do BRB. Segundo o NeoFeed, bancos privados admitiram reservadamente que sem o aval do Tesouro não entrariam num consórcio de empréstimos ao banco.






