O FGC pagou R$ 37,7 bilhões aos clientes do conglomerado Master entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro. Dos R$ 20,77 bilhões alocados em títulos de instituições financeiras, 65,1% foram para bancos S1 e S2, os de maior relevância sistêmica, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira publicado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira.
Destino dos pagamentos do FGC no caso Master
| Destino |
Valor |
Participação |
| Títulos de instituições financeiras |
R$ 20,77 bi |
55,1% |
| Outras destinações |
R$ 15,46 bi |
41,0% |
| Outros títulos privados |
R$ 1,47 bi |
3,9% |
Pagamentos do FGC referentes ao conglomerado Master (19/jan a 27/fev 2026). Fonte: Valor Investe
Os números do FGC no caso Master
O FGC estimou cobertura total de R$ 40,4 bilhões para cobrir as obrigações das instituições liquidadas: Banco Master, Master BI e Letsbank. Do total coberto, R$ 37,7 bilhões foram pagos aos clientes no período, correspondendo a 93,3% do valor elegível. Os R$ 2,7 bilhões restantes permaneciam pendentes ao final de fevereiro. O prazo para solicitação de ressarcimento vai até novembro de 2030.
A autoridade monetária havia decretado a liquidação extrajudicial das instituições do conglomerado Master em novembro de 2025. Antes disso, o BC havia identificado 36 empresas vinculadas a desvios de R$ 11,5 bilhões no Banco Master, com operações que incluíam emissão fraudulenta de títulos e empréstimos fictícios.
O comportamento do investidor
Dos recursos efetivamente pagos, 55,1% foram para títulos emitidos por instituições financeiras. Dentro dessa fatia, os bancos S1 absorveram 40,9% e os S2, outros 24,2%. O relatório aponta que os dados sugerem “que a maior parte dos pagamentos do FGC concentrou-se em instituições de maior relevância sistêmica, em linha com o perfil de atuação esperado em eventos de resolução bancária”, afirma o BC.
O relatório aponta que o conglomerado Master representava parcela pequena dos ativos totais e das captações do sistema, o que conteve o contágio. A conclusão do BC é que a liquidação não comprometeu a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. O caso Master já havia levantado questionamentos sobre a reputação de bancos de médio porte com estratégias agressivas de captação via produtos cobertos pelo FGC.
O que observar
O padrão documentado pelo BC, com bancos de maior relevância sistêmica concentrando mais de 65% dos recursos alocados em títulos do setor financeiro, tem implicações diretas para a estrutura de captação de instituições menores. Em momentos de estresse, o fluxo natural favorece os maiores, encarecendo o funding para os demais e potencialmente aprofundando a assimetria competitiva entre portes. Vale acompanhar se o movimento de concentração se desfaz gradualmente com a normalização da confiança, ou se parte dos recursos migrados permanece nas categorias de maior porte de forma mais duradoura.
Um dado do relatório merece atenção adicional: os 41% classificados como “outras destinações” não são detalhados pelo BC. Saber se esses recursos foram para consumo, renda variável, imóveis ou produtos fora do sistema bancário seria relevante para avaliar se a resposta do investidor foi defensiva, redistributiva ou de saída parcial do setor. Essa fatia representa R$ 15,46 bilhões, o segundo maior bloco em termos absolutos, e a ausência de desagregação limita a leitura do comportamento real do investidor pós-resolução.
Fontes: Valor Investe • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money