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Werlang defende Selic a 13% e meta de inflação em 2028

Ex-diretor do BC e criador do regime de metas defende Selic a 13% no fim de 2026 e meta de 3% atingida em 2028, não em 2027.

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Atualizado em

Foto: Agência Brasil

Sérgio Werlang, ex-diretor do Banco Central e um dos introdutores do regime de metas para a inflação no Brasil, defende cortar a Selic a 13% no fim de 2026 e estender o horizonte da meta de 3% para 2028. Para ele, o juro real de 10% já compromete a atividade e não se justifica numa economia atingida por choque de oferta, não de demanda.

Trajetória projetada da Selic: cenário Werlang

Referência Selic projetada
Fim de 2026 13%
Fim de 2027 11%
Meta 3% atingida Dezembro de 2028

Projeção baseada em cálculo da Buysidebrazil replicando o modelo do Banco Central. Fonte: Valor Econômico

O diagnóstico: fiscal e estrutural

Para Werlang, a desancoragem das expectativas de inflação não reflete falha do Banco Central, mas dois fatores estruturais: o impulso fiscal persistente e uma meta que o país não teria condições de cumprir com estabilidade. “O Brasil tem uma dívida bruta na faixa de 70% do PIB, na média, desde o início dos anos 2000. Para um país que tem isso aí, essa meta de inflação de 3% é baixa”, disse Werlang, professor da FGV EPGE e sócio da Sarpen Quant Investments. Segundo ele, a meta ótima ficaria entre 4% e 4,5%, faixa que o Brasil praticou por anos.

O choque atual é de oferta: petróleo, ureia e outras matérias-primas ficaram mais caras com a guerra no Oriente Médio, pressionando a inflação sem que o consumo esteja aquecido. Apertar os juros para compensar esse choque exigiria, segundo Werlang, um sacrifício desproporcional. O comprometimento da renda das famílias com dívidas já chegou a 29,7%, e empresas com histórico de resistência a ciclos anteriores de juros altos estão em recuperação judicial.

A trajetória que Werlang projeta para a Selic

Usando cálculo da consultoria Buysidebrazil baseado no próprio modelo do Banco Central, Werlang projeta que a Selic poderia chegar a 13% no fim de 2026 e a 11% no fim de 2027, com a inflação convergindo para 3% em dezembro de 2028, um ano além do horizonte usual de cumprimento. O Focus da última reunião do Copom já projetava a Selic próxima de 12,13% em 2026, em linha com essa trajetória.

O BC cortou os juros em 0,25 ponto percentual em abril, para 14,5%, segundo corte consecutivo. A comunicação pós-Copom deixou o ritmo futuro em aberto. Para Werlang, o BC, na prática, já opera com um horizonte mais longo sem declará-lo. “Nossa meta evoluiu para ser uma meta de longo prazo, volante”, disse. “Se eu estivesse no Banco Central, jamais teria colocado essa taxa de juros em 15%. Eu teria deixado lá em 12% e tanto por muito tempo”, acrescentou, ressalvando tratar-se de opinião pessoal.

O que observar

O argumento estrutural abre um debate que vai além do ciclo atual: qual é a meta de inflação sustentável para uma economia com alta relação dívida/PIB e impulso fiscal recorrente. Se as expectativas de inflação para 2029, hoje em 3,5% pelo Focus, não se deteriorarem nos próximos meses, o BC terá margem para manter o ritmo lento de cortes sem abrir discussão sobre credibilidade.

O marcador mais imediato é o comportamento do petróleo: uma queda rápida reabre espaço para cortes de 0,5 ponto percentual, enquanto uma alta sustentada forçaria uma trajetória ainda mais cautelosa. Qualquer revisão formal da própria meta estaria fora do alcance do BC e dependeria do conselho que a define, num contexto em que o incentivo político aponta para o estímulo à atividade.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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