Um esquema sofisticado de fraude tem transformado Pix roubado em criptoativos irrecuperáveis, burlando as camadas de segurança do sistema de pagamentos instantâneos. Mesmo com recursos como biometria, tokens e o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, criminosos conseguem tornar obsoletas essas proteções por meio de conversão instantânea em ativos digitais.
Como funciona o golpe
A operação criminosa utiliza páginas falsas de internet banking que imitam grandes instituições financeiras como o Bradesco. Segundo o Brazil Economy, quando a vítima tenta pagar contas comuns, o pagamento é redirecionado para a LBD TEC Investimentos Ltda., operacionalizada pela plataforma Hyper Wallet IP. Em segundos, os valores são convertidos em criptoativos, inviabilizando o bloqueio.
A empresa aparece registrada na Rua Conselheiro Moreira de Barros, 441, em Santana, São Paulo. Porém, no endereço há apenas um salão de beleza e um edifício residencial antigo. O sócio-administrador, Pedro Antonio dos Santos Gonçalves, não foi localizado para comentários.
Montante milionário e passivo reputacional
A Hyper Wallet IP acumulou 2.018 denúncias no Reclame Aqui nos últimos 12 meses, a maioria relacionada a fraudes com Pix. Os valores subtraídos seguem padrão recorrente de cerca de R$ 10 mil por operação. Considerando apenas as reclamações registradas, o montante potencial envolvido supera R$ 20 milhões em um ano.
A plataforma utiliza nome semelhante à Hyperwallet, adquirida pelo PayPal em 2018 por US$ 400 milhões. Porém, o PayPal esclareceu que não há qualquer vínculo entre as empresas. A Hyper Wallet IP se apresenta como pioneira em integrar pagamentos via Pix à tokenização, afirmando operar conforme a Lei nº 14.478 de 2022. Contudo, especialistas apontam zona cinzenta regulatória na combinação entre Pix e tokenização.
Desafio regulatório
Fabiano Jantalia, especialista em Direito Bancário, defende regulação mais robusta. Ele afirma que parâmetros claros do Banco Central aumentariam a segurança jurídica e a confiança dos investidores. A instituição, procurada pela reportagem, não se posicionou sobre o caso. Nesse sentido, o sistema de pagamentos instantâneos pode estar sendo usado como ponte para evasão quase irreversível de recursos.
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