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Multiplike: de factoring com R$ 7 mil a conglomerado com licença do Banco Central

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· 3 min

Atualizado em

Volnei Eying, CEO e fundador da Multiplike

A Multiplike, conglomerado financeiro sediado em Joinville (SC), já concedeu mais de R$ 70 bilhões em crédito para médias e grandes empresas ao longo de 27 anos de operação. Começou como uma factoring com R$ 7 mil descontando cheques à vista. Hoje administra R$ 3,7 bilhões em patrimônio, opera com securitizadora, FIDCs e, desde setembro de 2025, tem licença do Banco Central como instituição financeira.

Evolução da Multiplike: de factoring a conglomerado

Fase Estrutura Impacto
1999 Factoring Desconto de cheques, capital inicial de R$ 7 mil
~2005 Securitizadora Competitividade tributária, escala de operações
~2012 FIDCs Custo de captação menor, acesso a público de menor risco
Set/2025 SCFI (licença BC) Captação via LCI/LCA, meta de 100% do CDI

Terceira empresa a receber licença SCFI do BC em 12 meses, após Magalu Pay e Kanastra

Do cheque à vista ao crédito estruturado

Em entrevista ao podcast Let’s Money, Volnei Eyng, CEO e fundador da Multiplike, contou que começou a operação em 1999 descontando cheques à vista para comerciantes em Joinville, cobrando 1% a 2% por transação. O capital inicial veio de empréstimos pessoais no nome de familiares. “Começamos com R$ 7 mil. O spread era bom o suficiente para aprender com os erros”, relatou.

A trajetória seguiu a lógica de reduzir o custo de captação para acessar clientes de menor risco. Da factoring, onde a carga tributária limitava a escala, a empresa migrou para securitizadora e depois para FIDCs. A Multiplike se tornou a maior securitizadora multicedente e multissacado do país e o segundo maior FIDC nessa categoria. Hoje opera com cerca de 400 funcionários, distribuição nacional proporcional ao PIB brasileiro e operações típicas de R$ 10 a R$ 30 milhões por cliente.

A licença SCFI e a busca por custo de funding menor

Em setembro de 2025, a Multiplike obteve autorização do Banco Central para operar como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI), tornando-se a terceira empresa a receber esse tipo de licença em 12 meses. O movimento é estratégico: enquanto os FIDCs captam a CDI mais prêmio, a instituição financeira pode emitir LCIs, LCAs e CDBs, reduzindo o custo de captação para próximo de 100% do CDI. A economia estimada é de R$ 5 a R$ 6 milhões por mês.

A demanda por crédito empresarial no Brasil cresceu 9,8% em 2025, mas o cenário é desafiador com Selic a 15%. Eyng reconhece que o mercado está saturado de oferta: “Não existe mais empresa no Brasil mal assistida. Tem uma fila querendo falar com o financeiro da empresa dando crédito”. O diferencial, segundo ele, está em tecnologia e experiência: a Multiplike abandonou visitas presenciais para análise de crédito e investe pesado em modelagem proprietária de dados.

O que observar

A transição de gestora de FIDCs para instituição financeira regulada pelo Banco Central é um movimento que outras casas devem tentar replicar. Com a Selic em 15% e spreads comprimidos, a capacidade de captar funding mais barato se torna vantagem competitiva decisiva para quem opera no crédito corporativo de médio porte. O indicador a acompanhar é se a redução de custo estimada, de 120% para 100% do CDI, se traduz em preços mais competitivos para o tomador.

O caso da Multiplike ilustra também uma tese de descentralização geográfica do mercado financeiro brasileiro. Uma operação que nasceu em Joinville e distribui crédito proporcional ao PIB nacional sugere que proximidade com a Faria Lima é cada vez menos determinante para escalar no crédito corporativo, especialmente com modelos de análise 100% digitais.

Fontes: Let’s Money PodcastNeoFeedFinsidersBMC News

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